Prabhat Rainjan Sarkar apresentou em 1982, na Índia, a filosofia do Neo-humanismo. O livro “A Liberação do Intelecto: Neo-Humanismo”*, foi baseado em seus discursos sobre a magnífica ideologia do caminho da bem-aventurança.

O livro é um tesouro humano, aborda uma filosofia brilhante para a humanidade, na meta de união com o Infinito.

No início do livro, P.R.Sarkar explica que os seres humanos devem viver usando uma abordagem subjetiva,  que há diferentes fluxos de movimento no plano do mundo exterior e interior de cada indivíduo, e também, que no passado existiram várias filosofias que pareciam boas, mas que depois se mostraram impraticáveis no plano físico, mental ou espiritual, levando a sociedade e os seres humanos a muitos desequilíbrios, isto é, criaram muitos dogmas, fanatismos e etc.

Em um trecho, P.R.Sarkar diz: “Vaecitryam’ Prakrstadharma Sama’nam’ Nabavis Yaty”, que significa a diversidade é uma lei da natureza: a uniformidade jamais ocorrerá, portanto o dinamismo é a primeira e também a última palavra da existência humana.

Por exemplo, um lago estagnado cria muitos mosquitos, muitas ervas daninhas, as pessoas não podem desfrutar daquela água parada. Então, o que deve ser feito é preencher o lago de terra e eliminar a sua existência. Da mesma forma, quando a sociedade humana chega a um nível existencial muito baixo, é preciso fazer uma grande mudança e desenvolver uma mentalidade racionalista, para que o ser humano se mova desse plano muito básico, estagnado, para uma existência gloriosa. 

Para isso, P.R.Sarkar fala que devemos elevar os sentimentos que nos mantém muito estreitos, que nos fazem permanecer com uma mente muito egoísta, pensando apenas em nós mesmos. E essa elevação nos conduz à devoção.

O sentimento devocional é o mais bonito, mais valoroso, mais precioso do coração humano. É a jóia mais brilhante da humanidade e deve ser preservado com bastante cuidado.

Assim também, devemos ter cuidado ao estabelecer uma filosofia adequada para a harmonia entre os seres humanos, as espécies animais, vegetais e o mundo inanimado. O neo-humanismo será sempre uma fonte perene de inspiração para a sociedade atingir o seu objetivo.

P.R.Sarkar deixa claro que precisamos evoluir os sentimentos que limitam a sociedade humana, como o geocentrismo, o sociocentrismo, o geopatriotismo, a geo-religião, a geo-economia,  e o próprio sentimento humanista, etc, para o sentimento mais avançado que é o neo-humanismo, a filosofia que leva ao universalismo, o amor a todos os seres neste universo. 

P.R.Sarkar também diz que devemos desenvolver a mentalidade proto-espiritualista, através do princípio de igualdade social, que em sânscrito se chama sama samaja tattva, o princípo de igualdade social, que ensina que a base da retidão, ou dharma. A marcha coletiva de todos os seres em uníssono e, também, é a firme fundação da humanidade. 

O humanismo, que é um sentimento não motivado por uma fonte perene de inspiração, se tornará apenas uma formalidade. Assim também os grupos como família, casta, religião, raça, etc, devem expandir e abraçar a todos.

Quando imbuídos de racionalidade e sama samaja tattva, poderemos nos mover para a subjetividade, para a devoção. O caminho devocional é interno: “quando eu sinto que somente eu e meu Senhor existem”. 

É muito importante manter a racionalidade, os estudos, eles facilitam o caminho ao Ser Supremo. 

No livro também são abordados os complexos humanos, a exploração psíquica, a exploração política e econômica, a exploração cultural, a exploração religiosa, aos quais os seres humanos estão sujeitos. P.R.Sarkar fala também dos revolucionários e dos reformistas. Todos estes assuntos são descritos em detalhes. 

Outro assunto do livro é o pseudo-humanismo, que é tecnicamente chamado de sentimento social minimista, muito estreito, em contrapartida aos sentimentos humanistas, considerados maximistas, ou sentimentos sociais excelêncio. E ao todo P.R.Sarkar fala de três sentimentos que podem evoluir para o neo-humanismo: o geo-sentimento, o sentimento social e o sentimento humano.

Um exemplo de como o sentimento humano ainda é estreito: uma pessoa trabalha para um país e diz que decidiu que vai trabalhar para todos os outros países, ela é internacionalista, mas não um neo-humanista, porque não está preocupado com a harmonia com o mundo inanimado, por exemplo.

No livro também é abordado o despertar da consciência humana. P.R.Sarkar fala da importância do estudo da consciência, e fala do neo-humanismo como uma ideologia para as novas gerações, com o desenvolvimento de uma espiritualidade proto – psíquica. Ele diz que o neo-humanismo será um abrigo permanente para o ser-humano.

Na última parte do livro, P.R.Sarkar descreve a espiritualidade como um processo físico-psiquico-espiritual, que vai mostrar à humanidade como remover os preconceitos e se dirigir rapidamente em direção ao mundo espiritual, sem atraso ou demora. Ele diz que nossas células ectoplasmáticas vão evoluir para atingir o objetivo da Consciência Suprema. 

P.R.Sarkar define espiritualidade como essência e diz que a humanidade tem uma mente coletiva. Ele fala que para mudar realmente a mentalidade coletiva, devemos criar uma nova onda de pensamento. Com isso o progresso da humanidade será rápido e poderemos desfrutar do desenvolvimento mental e ectoplasmático coletivo. Com a mente expandida não haverão mais processos pseudo-humanistas,  e a força espiritual coletiva será muito forte, emanada de um núcleo existencial Supremo, conectado com cada indivíduo. Os seres humanos alcançarão a unidade com o Núcleo Controlador da Existência e esta é a expressão mais elevada do neo-humanismo. 

P.R.Sarkar conclui que o status neo-humanista salvará não só os seres-humanos,  mas todos os seres, inclusive do mundo inanimado e que a humanidade universal consumará sua existência. Nada será impossível para o ser-humano, Ele  diz. E comenta que a humanidade está desesperada, que as pessoas estão muito focadas em suas imperfeições e no que podem ou não fazer, mas que no Estado Supremo neo-humanista esse pensamento irá mudar. As pessoas vão dizer: “Sou neo-humanista, portanto destinado a fazer um grande trabalho. Vim para este planeta para isso. E mesmo que alguém diga: “A escuridão é boa para mim”, os outros dirão: “Ela pode ser boa apenas uma vez. Venha para a luz, porque a luz é muito melhor”. E ninguém ficará para trás. 

Por Avadhutika Ananda Usa Acarya

*nota do editor: este livro foi reeditado e publicado no Brasil como “Neo-humanismo – Ecologia, Espiritualidade e Expansão Mental

Didi Ananda Usa é instrutora de meditação, monja yogini desde 1979, palestra sobre a filosofia espiritual e social de Prabhat Rainjan Sarkar, em diversos países. Brasileira de nascimento, atualmente é coordenadora de 3 projetos se serviços sociais em zona de pobreza em Asheville, Carolina do Norte, EUA. Há 11 anos, trabalha com projetos de hortas de vegetais, frutas e ervas medicinais na Unidade Mestra de Viithika, em Marshall, no mesmo estado. 

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